quarta-feira, dezembro 23, 2009











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NATAL DE QUEM?
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Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
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- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
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Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
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Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
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O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
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Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

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(João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996)
O meu mais belo poema de Natal


FELIZ NATAL




















A todos os meus amigos e Famílias desejo um Feliz Natal e um óptimo Ano de 2010.

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quarta-feira, dezembro 09, 2009


" SER FELIZ OU TER RAZÃO? "






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Para reflexão...

Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou o mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem a certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão e, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

MORAL DA HISTÓRIA:

Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre a simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de a ter ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência: "Quero ser feliz ou ter razão?" Outro pensamento parecido, diz o seguinte: "Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam."
Eu já decidi...

QUERO SER FELIZ!

sábado, novembro 28, 2009

Guerra Junqueiro, 1896




"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,e guarda ainda na noite da sua inconsciência como queum lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896

sexta-feira, novembro 20, 2009

TEIAS ...





As Leis são como as teias de aranha. Os pequenos insectos ficam presos. Os grandes, furam-na.


Autor desconhecido

segunda-feira, novembro 09, 2009

DOAÇÃO


Duas galinhas....

Pura realidade...
- "Se você tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?"
- "Sim" - respondeu o militante.
- "E se você tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?"
- "Sim" - novamente respondeu o valoroso militante.
- "E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?"
- "É claro que doaria" - respondeu o orgulhoso companheiro.
- "E se você tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?"
- "Não" - respondeu o camarada.
- "Mas porque você doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?"
- "Porque as galinhas eu tenho."

terça-feira, outubro 13, 2009

sexta-feira, outubro 09, 2009

Escutas no Palácio de Belém


Afinal sempre é verdade ...
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quarta-feira, setembro 16, 2009

Como a memória é curta, aqui vai...


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É impossível não ver o programa eleitoral do PSD, e o anúncio pela dra. Ferreira Leite de políticas de firme combate a medidas da dra. Ferreira Leite, a mão maoista (ou o que resta dela) de Pacheco Pereira, a da autocrítica.

- Assim, se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta, que a dra. Ferreira Leite criou em 2001;
- a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19%;
- promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos, cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003;
- consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004;
- levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite, chegou ao ponto, em 1994, de lhe exibirem os traseiros.

No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".

sábado, setembro 12, 2009

Onde será que (ou a quem) eu já ouvi este discurso...?










Ahhhhh! Já me lembro.
















sexta-feira, agosto 21, 2009

RELACIONAMENTOS


Se assumirmos não ter responsabilidades nos processos de relação com o outro, ninguém se responsabilizará pela nossa causa quando as coisas nos correrem mal. E essas dificuldades na forma como nos relacionamos com as pessoas mais próximas reflectem-se à escala da sociedade e do mundo.
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(Ana Vieira de Castro)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Política de Interesses




















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Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
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Eça de Queiroz

terça-feira, julho 28, 2009


Uma frase com 2064 anos ...
Como se vê, na essência...

nada mudou!






segunda-feira, julho 20, 2009

Ser Diferente


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A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.
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Agostinho da Silva

segunda-feira, julho 06, 2009

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Jardim Gonçalves mantém mordomias do BCP















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Avião privado e 40 seguranças à disposição, tudo pago pelo Banco Comercial Português (BCP), são algumas das regalias que o ex-presidente e fundador da instituição mantém após a reforma.
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Pode dizer-se que é uma reforma de luxo, digna de fazer inveja até aos chefes de estado mais ricos e poderosos. Apesar de não ser público o valor que Jardim Gonçalves aufere por reforma do banco que fundou, certo é que o ex-presidente soube negociar muito bem a sua saída. Segundo noticia do Diário de Notícias, Jardim tem a possibilidade de viajar pelo mundo num avião particular e de ser vigiado por cerca de 40 seguranças privados, com os custos todos suportados pelo banco.
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Contactado por aquele jornal, o ex-banqueiro assegura que estas regalias figuram numa acta do conselho de remunerações e previdência, onde está consagrado o direito à "segurança e protecção na saúde". Uma situação que está a ser revista pelo actual conselho de remunerações e previdência, presidido por Joe Berardo.
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De salientar que Jardim Gonçalves é o único ex-presidente do BCP que continua a voar em aviões pagos pela instituição. O avião é alugado anualmente pelo banco, para deslocações da administração e quadros de topo do BCP .
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Recorde-se que esta semana o Ministério Público deduziu acusações contra Jardim Gonçalves e outros quatro antigos gestores do Banco Comercial Português, acusados de manipulação de mercado, falsificação de contabilidade e burla qualificada. Terão provocado 600 milhões de euros de prejuízo ao BCP.
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terça-feira, junho 30, 2009

Em 2008, bancos tiveram mais ajuda
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que os pobres em 50 anos





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O sector financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinquenta anos. O dado foi divulgado pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milénio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 trilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 trilhões em ajuda pública.

quinta-feira, junho 18, 2009


“FALECEU O DR. CARLOS CANDAL"
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Além de advogado, funções que exerceu com brilho, empenho e honestidade, foi:
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Presidente da Associação Académica de Coimbra; Fundador do Partido Socialista; Deputado na Assembleia Constituinte; Deputado da Assembleia da República; Deputado do Parlamento Europeu; Presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Aveiro e, no mandato que ainda decorre, era o Líder da Bancada do PS.
Uma vida que poderia e deveria ser mais longa mas que foi exemplar. Viveu-a e preencheu-a com trabalho e a lutar pela liberdade e democracia.
Aveiro perdeu mais um dos seus Homens Ilustres e um dos seus melhores Amigos.
Ficamos mais pobres!
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O corpo encontra-se em Câmara Ardente nos Paços do Concelho. O funeral realiza-se no próximo sábado, pelas 10,30 horas.
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Partiu o Homem. Legou-nos o “Ser” que será eterno.
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terça-feira, junho 02, 2009

Excerto da intervenção de Nuno Marques Pereira do Partido Socialista:









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“O argumentário usado é, em alguns aspectos, falacioso por padecer de rigor e com uma tal carga demagógica que chega a causar espanto”, acusou o vereador socialista Nuno Marques Pereira durante a reunião pública realizada ontem à tarde.O autarca confrontou a maioria com uma série de investimentos que atribuiu em parte às boas influências do Governador Civil, Filipe Neto Brandão, e do deputado Afonso Candal, mas também de projectos herdados da gestão de Alberto Souto.“A Câmara e bem, apenas teve de aceitar”, vincou, enunciando o Polis Ria, a ligação ferroviária ao Porto de Aveiro, a plataforma logística de Cacia, o comboio de alta velocidade, o Museu de Aveiro, a Comarca do Baixo Vouga e o Tribunal Administrativo de Aveiro.Sobre a Unidade de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB) em Eirol para lixos domésticos da ERSUC, também apresentada no rol das realizações da maioria, o PS entende que a Câmara “não zelou pelos interesses do município”.Entendem os socialistas que deveria ter existido “solidariedade regional” para a escolha do equipamento, já que Aveiro acolhe há 12 anos o aterro intermunicipal que serve vários concelhos.Para Nuno Marques Pereira, a UTMB “forçou” o Governo a inscrever o eixo rodoviário Aveiro/Águeda no plano rodoviário “não outra razão”.Nos recentes discursos da maioria “pairou sempre o anátema” dos anteriores mandatos de Alberto Souto (PS), exemplificando com a referência aos juros e amortizações da dívida que estariam a onerar as novas gerações. “Desde há 12 anos que usufruem de uma obra notável”, referiu o vereador, avançado com diversos exemplos.A propósito de responsabilidade política, citou Sá Carneiro, para quem nos primeiros seis meses de um mandato era “admissível” atribuir culpas aos governantes anteriores “mas daí para a frente quem está no Governo tem de assumir as responsabilidades”.Para Nuno Marques Pereira, não cumpriu o compromisso de resolver o problema financeiro como “agravou” as contas, sem acompanhar o empréstimo de 58 milhões de euros “com medidas concretas para combater o défice estrutural”.A maioria “foi uma desilusão” por não resolver outros problemas como a dívida para com o Beira-Mar, a reestruturação das empresas municipais ou a ausência de candidaturas para renovar o parque escolar.Maioria promete rebater argumentos O vice-presidente da Câmara, Carlos Santos, enquadrou as críticas do PS no âmbito da campanha eleitoral. “A maioria também terá os seus argumentos e na altura responderemos”, disse após a intervenção do eleito socialista. Esta intervenção fazia prever o silêncio do presidente do executivo mas Élio Maia acabaria por comentar as acusações. Aludiu, a propósito, ao seu discurso na recente visita presidencial de Cavaco Silva. “Tivemos sempre o cuidado de dizer que procuramos envolver todos os agentes e forças políticas em tudo aquilo que construímos em Aveiro”, ressalvou.·Acabaria, contudo, por sublinhar a acção da maioria em “retomar” projectos “parados há anos de mais”.“Não é por acaso que foi possível retomá-los e agora estão a andar”, disse pedindo o reconhecimento e empenho deste executivo.
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Fonte: “Notícias de Aveiro”

terça-feira, maio 19, 2009

40º Aniversário do II Congresso Republicano de Aveiro

Quarenta anos depois...
por Mário Soares
"Se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda"
Celebrou-se no sábado o 40.º aniversário do II Congresso Republicano de Aveiro. Foi uma iniciativa cívica do governador civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, a que se associou o presidente da câmara, Élio Maia, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, em representação do primeiro-ministro, e o presidente das Comemorações para o Centenário da República, Artur Santos Silva.
"Tive o grande gosto de ser um dos convidados para falar, dado que sou um dos raros sobreviventes desse tempo tão difícil.
Aveiro é uma terra essencialmente liberal e republicana. É a terra do grande tribuno do liberalismo José Estêvão e dos mártires de Aveiro que em 1828 se revoltaram contra o absolutismo miguelista e foram supliciados na Praça Nova do Porto. É a terra do grande jornalista Homem Cristo, director do Povo de Aveiro, com grande influência a nível nacional, de Sebastião de Magalhães Lima, grande figura da República e grão-mestre da Maçonaria, entre muitos outros.
Os congressos republicanos foram três: o I, em 1957, antes do terramoto cívico provocado pela candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, a que Salazar chamou "uma tentativa de golpe de Estado constitucional". Foi promovido pelo meu saudoso amigo e grande resistente à ditadura Mário Sacramento; o II, já na era de Marcelo Caetano, deu-se na chamada "primavera caetanista", em 1969 organizado pelo meu camarada no MUD Juvenil Álvaro Seiça Neves, Mário Sacramento tinha acabado de morrer; e o III, em 1973, que acabou mal, com cargas violentas da PIDE, então "crismada" de DGS, sobre os participantes, entre os quais se encontravam o director do jornal República, Raul Rego, a minha mulher, filho e vários correspondentes estrangeiros. Foi o cair da máscara de um regime desesperado e à beira da agonia...
Curiosamente, e não por acaso, quem possibilitou a realização dos três congressos republicanos, que revestiram um carácter nacional, e tiveram grande repercussão, foi o governador civil da época, Vale Guimarães, de tradição liberal, que autorizou o primeiro ainda no Governo de Salazar e foi demitido por ter sido excessivamente permissivo, mas que voltou depois ao Governo Civil nomeado por Caetano, de quem era amigo.
Participei no II Congresso Republicano, tinha acabado de regressar da deportação em São Tomé e estávamos na preparação das pseudo-eleições de 1969, que constituíram um teste absolutamente negativo para a "evolução na continuidade", anunciada por Caetano. Foram a prova da continuidade, mas não da evolução nem, muito menos, da mudança necessária. A tese que apresentei e li - no II Congresso - intitulava-se "A Constituição de 1933 e a evolução democrática do País", foi editada nas Actas do Congresso e transcrita num livro meu, Escritos Políticos, que saiu nesse mesmo ano de 1969 e teve quatro edições, apesar de retirado das livrarias e vendido clandestinamente. Propunha então que a Constituição, "ultrapassada nas suas determinantes ideológicas e envelhecida pelo tempo e pelas conjunturas políticas", deveria ser "profundamente revista" pela Assembleia que iria ser eleita, se as "eleições fossem efectivamente livres". Propunha, aliás, dois referendos: um sobre o problema ultramarino, "pondo fim às guerras em que o país se encontra envolvido, pelo repúdio de todas as formas de colonialismo e pelo respeito efectivo do princípio da autodeterminação, com todas as suas consequências" (Isto cinco anos antes do 25 de Abril!); e o outro "sobre a orientação corporativa da nossa vida económica", que estava a atrasar o de-senvolvimento do País, numa Europa a evoluir no sentido de um mercado comum, livre e sem fronteiras.Contudo, a "primavera caetanista", por falta de visão e de coragem do seu chefe, iria evoluir em sentido contrário. As eleições de 1969 foram uma autêntica fraude. A chamada "ala liberal", que confiou nas promessas de Caetano e de Melo e Castro, acabou por reconhecer a fraude e ter de abandonar a Assembleia. Por meu lado, encabecei a lista da oposição por Lisboa, CEUD, obviamente derrotada. Decidi depois fazer uma viagem pela América Latina e do Norte, onde conheci muita gente em busca também de um caminho para a democracia. Era o tempo dos boys da Escola de Chicago e das ditaduras militares.
Em Nova Iorque, tive a notícia da prisão de Salgado Zenha e Jaime Gama, ambos membros da lista eleitoral da CEUD. Consegui fazer uma conferência de imprensa em Nova Iorque, no Overseas Press Club, graças ao prestígio de Victoria Kent, republicana espanhola no exílio e directora da Revista Ibérica, de que fui assíduo colaborador. Assim, denunciei o Governo de Marcelo Caetano como uma ditadura cruel e, sobretudo, as guerras coloniais em que o Governo português estava envolvido sem qualquer saída à vista. A conferência teve imensa repercussão nos jornais americanos e também europeus. O Governo português reagiu violentamente, fizeram manifestações de desagravo, escreveram nas paredes "abaixo o "turra", com o meu nome, e chamaram-me "traidor à Pátria", anunciando que iam pôr um processo contra mim. A minha mulher telefonou-me, muito preocupada, a pedir que não regressasse. Foi assim que decidi ir para Paris, onde me dispus a acabar o livro, que publicaria em França, Portugal Baillonné.Entretanto, tive a tristíssima notícia de que tinha falecido o meu pai. Regressei no primeiro avião para assistir ao funeral. Tinha 92 anos! Esperava ser preso. Mas não fui. Dois dias depois, fui chamado à PIDE pelo inspector Pereira de Carvalho, que me disse, em nome do Governo, que ia ser expulso de Portugal se não saísse dentro de quatro horas. "Seria de novo deportado para uma ilha mais longe do que São Tomé." Optei pelo exílio.
No III Congresso Republicano, em 1973, estava deportado em Paris. Não podendo ir, enviei um texto para ser lido. Mas não foi. Disseram-me que não chegou a tempo. Mas foi publicado nas Actas dos Congressos e eu transcrevi-o num livro que publiquei logo a seguir ao 25 de Abril, Escritos do Exílio.
Sinto-me, por isso, muito ligado aos congressos de Aveiro, que foram um marco muito importante na luta contra o salazarismo e o caetanismo. Por todas as razões, gostei muito de ter estado no sábado, de novo, no velho Teatro Aveirense, agora renovado. Lembrei-me muito dos meus amigos Mário Sacramento, Seiça Neves, João Sarabando, Costa e Melo e Carlos Candal, ao qual desejo rápidas melhoras. O governador civil está de parabéns! Foi uma cerimónia que invocou o nosso património comum de resistência. Um exemplo para os jovens!
2. O chamado bloco central voltou a ser tema dos jornais nas últimas semanas, na perspectiva de mudanças e de incerteza quanto aos resultados da eleição do ano que corre. Como com o prof. Mota Pinto fomos os dois principais protagonistas dessa velha experiência, tão criticada mas com resultados tão positivos, estou à vontade para dizer alguma coisa sobre o assunto.
E começo por dizer que me parece absolutamente inoportuno esse debate e que não vejo razões válidas para repetir a experiência, em condições políticas e económicas tão diferentes das de então.
Inoportuno porque antes de qualquer acordo não se deve discuti-lo na praça pública, antes sequer de se conhecer o resultado das eleições. É pelo menos insensato.
Depois, porque as condições geopolíticas são completamente diferentes e não o justificam. A crise que vivemos agora é global e importada. E se sabemos alguma coisa do modo como a vencer é assegurando uma mudança de paradigma económico e social, como tenho dito e repetido. Políticas de esquerda, portanto: dignificação do trabalho, luta prioritária contra o desemprego, protecção social para os mais desfavorecidos, punição dos culpados, redução drástica das desigualdades, regulação da globalização, reestruturação das organizações financeiras internacionais, regresso aos valores éticos, etc.
Ora, sendo assim, se o PS não tiver maioria absoluta, a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda, que é o que o eleitorado espera, uma vez que a esquerda, no seu conjunto, continuará a ter uma maioria e, porventura mesmo, muito sólida. Então? Em democracia não se deve ir contra a corrente do eleitorado, mesmo que aparentemente haja divergências sérias numa parte dele...
Há outra razão ainda. Entre os dois líderes do bloco central havia sólidos motivos de entendimento, que se veio a transformar numa efectiva amizade. Por isso aguentámos quase três anos e superámos todos os imensos problemas - e cascas de banana - que nos foram postos debaixo dos pés, de ambos os lados... Está isso longe de ser o caso actual.”

Fonte: D.N.

sábado, maio 09, 2009

RECEBER A DOBRAR...


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"Aquilo que você der a uma mulher, ela vai tornar maior.
Se lhe der o seu esperma, ela vai dar-lhe um bebé.
Se lhe der uma casa, ela vai dar-lhe um lar.
Se lhe der compras de mercearia, ela vai dar-lhe uma refeição.
Se lhe der um sorriso, ela vai dar-lhe o seu coração.
Ela multiplica e amplia o que lhe é dado.
Portanto, se você lhe der qualquer porcaria, esteja preparado para receber uma tonelada de merda. "

domingo, abril 26, 2009

UM DIA VOU CONSTRUIR UM CASTELO...

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Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
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Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
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(Fernando Pessoa)



sexta-feira, abril 17, 2009

VERNÁCULO PARLAMENTAR...


Para quem não sabe: duas semanas atrás, os deputados da Nação discutiam um plano governamental de benefícios fiscais para a compra de painéis solares.
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José Eduardo Martins, deputado do PSD, afirma que o plano foi desenhado para beneficiar duas empresas, a Martifer e a Vulcano.
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Em tom irónico, o deputado do PS, Afonso Candal, diz: “Sei que a sua preocupação são os contribuintes. Eu sei… Eu sei… Sei que, piamente, esses são os seus interesses… São os contribuintes…”
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Suspeitando que Candal estaria a insinuar que José Eduardo Martins, que é advogado na área ambiental, poderia estar a querer defender interesses dos seus clientes, o deputado do PSD vira-se para Candal e declara:
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- “Vai para o caralho!”
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Candal ficou obviamente confuso. A que caralho estaria Martins a referir-se?
É que, na frase «vai para o caralho», o deputado do PSD utilizou o termo “caralho” como advérbio de lugar onde (Para onde vais? Para o caralho.)
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Ora, sendo Candal deputado do PS, será de supor que Martins o estava a mandar para o caralho do PS.
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Mas como em política, nem sempre o que parece, é, podia muito bem ser o caralho do PSD ou outro caralho qualquer.
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O grande problema, sempre que se usa o termo “caralho”, é saber se o utilizamos como substantivo, adjectivo, advérbio, unidade de medida, ou como qualquer outra das múltiplas formas como se pode usar o caralho.
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Por exemplo, no futebol, “caralho” é muito usado como nome próprio. De facto, mais de 60% dos jogadores de futebol se chamam Caralho. Daí, as expressões: “Passa a bola, Caralho!”, “Remata, Caralho, remata!”, “Vai-te embora, ó Caralho!”
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O caralho é também usado como pontuação.
Como virgula: “Ouve lá, caralho, quando é que pagas o que me deves?”
Como ponto de exclamação: “Olha que tu não me tornas a fazer isso, caralho!”
Como ponto final parágrafo: “Não faço nem mais um caralho”.
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O grande Millor Fernandes já tinha chamado a atenção para a utilização do caralho como unidade de medida: “grande comó caralho”, “longe comó caralho”.
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No entanto, no ambiente de um Parlamento, “vai para o caralho” é uma novidade.
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Há antecedentes, claro.

Em 1982, por exemplo, e segundo o DN, o velho Sousa Tavares, dirigindo-se ao “operário” Jerónimo de Sousa que, já nesse tempo, era deputado, disse:
“Olhe, vá à merda! Idiota! Mandrião! Vá trabalhar, que foi aquilo que nunca fez na vida! Calaceiro!”
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E recuando mais dois anos, para 1980, o então deputado do PS, Raul Rego, virando-se para o mesmo Sousa Tavares, deputado do PSD, sibilou:
“Vá para a puta que o pariu!”
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Percebe-se, portanto, que existe uma espécie de tradição de os deputados do nosso Parlamento se mandarem uns aos outros para sítios curiosos: para a merda, para a puta que os pariu e, agora, para o caralho!
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Em resumo: não se sabe se Afonso Candal seguiu o conselho do seu colega Martins e se foi mesmo para o caralho.
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Sr. deputado: quando lá chegar, diga-nos qualquer coisa.

Retirado de “O Coiso”

domingo, abril 12, 2009

O PAPA


O Papa, terminada a sua visita a Portugal, foi de limusina para o aeroporto. Como nunca tinha conduzido um carro daqueles, perguntou ao motorista se poderia conduzir por uns instantes.

O motorista atrapalhado, lá disse:
- Bem... acho que sim...! –
e foi para o banco traseiro da limusina enquanto o Papa ia para o volante.

Na auto-estrada A1, acelerou até aos 180 km/hora... 220 km/hora... 250 km/hora...
De imediato as luzes azuis da patrulha da BT da GNR surgiram no espelho.
O Papa lá encostou e o agente foi ao seu encontro. Quando se debruçou sobre janela e viu de quem se tratava, disse:
- Por favor... Aguarde um momento.... eu preciso ligar para a central.

O agente da BT pegou no rádio e chamou o Chefe, dizendo:
- Eu tenho uma pessoa muito importante que conduzia a mais de 250 km/hora na A1 e preciso de saber o que fazer.

- É o Cavaco? - Perguntou o chefe.
- Não, é ainda mais importante.

- Não é o Sócrates, é???
- Não, ainda mais importante!

- Quem é??? Não é o Victor Constâncio outra vez, pois não?
O agente respondeu:
- Não! É ainda mais importante do que esse...

- Bem, mas então quem é esse VIP??!! - gritou o Chefe já sem paciência.

Ao qual o agente responde:
- Eu não tenho bem a certeza, mas acho que deve ser Jesus Cristo, porque o motorista é o Papa!!!

domingo, março 29, 2009

DEPUTADOS




Em Portugal, os deputados ganham 3708 euros de salário-base, o que corresponde a 50% do vencimento do presidente da República. Os subsídios de férias e de Natal são pagos em Junho e em Novembro e têm direito a10% do salário para despesas de representação. Como também lhes são pagos abonos de transporte entre a residência e São Bento uma vez por semana, e por cada deslocação semanal ao círculo de eleição, um deputado do Porto, por exemplo, pode receber mais dois mil euros, além do ordenado.
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De acordo com o "Manual do Deputado", os representantes do povo podem estar no regime de dedicação exclusiva e acumularem com o pagamento de direitos de autor, conferências, palestras, cursos breves, etc.
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Como o fim da subvenção vitalícia irá abranger somente os deputados eleitos em 2009, os que perfaçam até ao final da legislatura 12 anos de funções (consecutivos ou intervalados) ainda a recebem, mas com menor valor. Quem já tinha 12 anos de funções quando a lei entrou em vigor - em Outubro de 2005 - terá uma subvenção vitalícia de 48% do ordenado base - pelo actual valor, quase 1850 euros - logo que completar 55 anos.
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O Governo acautelou assim a situação de parte dos deputados do PS eleitos em 1995, com a primeira vitória de Guterres, pelo que ao fim de dez anos de actividade (até 2005) poderão auferir a pensão vitalícia que corresponde a 40% do vencimento-base - dez anos a multiplicar por 4% do vencimento base auferido quando saiu do Parlamento. A subvenção é cumulável com a pensão de aposentação ou a de reforma até ao valor do salário base de um ministro que é em 2008 de 4819,94 euros. Os subvencionados beneficiam ainda "do regime de previdência social mais favorável aplicável à Função Pública", diz o documento.
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Sócrates recebe pensão vitalícia
José Sócrates tem direito à pensão vitalícia por ter 11 anos de Parlamento. Eleito pela primeira vez em 1987, esteve oito anos consecutivos em funções. Secretário de Estado do Ambiente e ministro da pasta nos Governos de Guterres, voltou em Abril de 2002, onde ficou mais três anos.
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Quem tem e vai ter a subvenção
Almeida Santos (PS), Manuela Ferreira Leite, Manuel Moreira e Eduarda Azevedo (PSD), Narana Coissoró e Miguel Anacoreta Correia (CDS-PP) e Isabel Castro (PEV) já requereram a subvenção vitalícia. Outros 31 deputados, 20 dos quais do PS, poderão pedi-la, pois até ao fim de 2009 perfazem 12 anos de mandato, embora só se contabilizem os anos até 2005.
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Salário cresceu 77 euros num ano
Em 2007, o vencimento-base de um deputado foi 3631,40 euros. Este ano é de 3707,65 euros , segundo a secretaria-geral da AR. Um aumento de 77 euros.
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Presidir à AR dá direito a casa
O presidente da Assembleia da República (AR) recebe 80% do ordenado do presidente da República - 5.810 euros. Recebe ainda um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento 2950 euros, o que perfaz 8760 euros. Usufrui de residência oficial e de um veículo para uso pessoal conduzido por um motorista.
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Dez têm carro com motorista
Ao presidente do Conselho de Administração (José Lello), aos quatro vices-presidentes da AR - na actual legislatura, Manuel Alegre (PS), Guilherme Silva (PSD), António Filipe (PCP) e Nuno Melo (CDS-PP) - e aos líderes parlamentares é disponibilizado um gabine pessoal, secretário e automóvel com motorista.
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Benesses para a Mesa da AR
Para os quatro vice-presidentes da AR (PS, PSD, CDS e PCP) e para os membros do Conselho de Administração, o abono é de 25% do vencimento 927 euros. Os seis líderes parlamentares e os secretários da Mesa têm de abono 20% do salário: 742 euros. Abono superior ao salário mínimo Os vice-presidentes parlamentares com um mínimo de 20 deputados (PS e PSD), os presidentes das comissões permanentes e os vice-secretários da mesa têm de abono 15% do vencimento - 555 euros. Mais 129 euros do que o salário mínimo nacional.
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Uso gratuito de correio, telefone e electricidade
Os governos civis, se solicitados, devem disponibilizar instalações para que os deputados atendam os media ou cidadãos. Os deputados podem transitar livremente pela AR, têm direito a cartão de identificação e passaporte especial e ao direito de uso e porte de arma. Podem também usar, a título gratuito, serviços postais, telecomunicações e redes electrónicas.
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Ajudas de custo para os de fora
Quem reside fora dos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro e Amadora recebe 1/3 das ajudas de custo fixadas para os membros do Governo (67,24 euros) por cada dia de presença em plenário, comissões ou outras reuniões convocadas pelo presidente da AR e mais dois dias por semana.
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Pára-quedistas ficam a ganhar
Os deputados que residem num círculo diferente daquele por que foram eleitos recebem ajudas de custo, até dois dias por semana, em deslocações que efectuem ao círculo, em trabalho político. Mas também os que, em missão da AR, viajem para fora de Lisboa. No país têm direito a 67,24 euros diários ou a 162,36 euros por dia se forem em serviço ao estrangeiro.
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Viagens pagas todas as semanas
Quando há plenário, a quantia para despesas de transporte é igual ao número de quilómetros de uma ida e volta semanal entre a residência do parlamentar e S. Bento vezes o número de semanas do mês (quatro ou cinco) multiplicado pelo valor do quilómetro para deslocações em viatura própria. Uma viagem ao Porto são 600 quilómetros cinco vezes num mês, dá três mil. Como o quilómetro é pago a 0,39 euros, o abono desse mês é de 1170 euros.
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Viver na capital também dá abono
Os deputados que residam nos concelhos de Cascais, Barreiro, Vila Franca de Xira, Sintra, Loures, Oeiras, Seixal, Amadora, Almada e Lisboa recebem também segundo a fórmula anterior. Os quilómetros (ida e volta) são multiplicados pelas vezes que esteve em plenário e em comissões, tudo multiplicado por 0,39 euros.
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Ir às ilhas com bilhetes pagos
A resolução 57/2004 em vigor, de acordo com a secretaria-geral da AR, estipula que os eleitos pelas regiões autónomas recebem o valor de uma viagem áerea semanal (ida e volta) na classe mais elevada entre o aeroporto e Lisboa, mais o valor da distância do aeroporto à residência. Por exemplo, 512 euros (tarifa da TAP para o Funchal com taxas) multiplicados por quatro ou cinco semanas, ou seja, 2048 euros. Mais o número de quilómetros (30, por exemplo) de casa ao aeroporto a dobrar (por ser ida e volta) multiplicado pelas mesmas quatro (ou cinco) semanas do mês, e a soma é multiplicada por 0,39 euros, o que dá 936 euros. Ao todo 2980 euros.
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Deslocações em trabalho à parte
Ao salário-base, ajudas de custo, abono de transporte mensal há ainda a somar os montantes pela deslocação semanal em trabalho político ao círculo eleitoral pelo qual se foi eleito. Os deputados eleitos por Bragança ou Vila Real são os mais abonados.
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Almoço a menos de cinco euros
Os deputados e assessores que transitoriamente trabalham para os grupos parlamentares pagam 4,65 euros de almoço, que inclui sopa, prato principal, sobremesa ou fruta. E salada à discrição. Um aumento de 0,10 euros desde 2006. Nos bares, um café custa 25 cêntimos, uma garrafa de 1,5 litro de água mineral 33 cêntimos e uma sandes de queijo 45 cêntimos.
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Imunidade face à lei da Justiça
Não responde civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitir em funções e por causa delas. Não pode ser detido ou preso sem autorização da AR, salvo por crime punível com pena de prisão superior a três anos e em flagrante delito. Indiciado por despacho de pronúncia ou equivalente, a AR decidirá se deve ou não ser suspenso para acompanhar o processo. Não pode, sem autorização da AR, ser jurado, perito ou testemunha nem ser ouvido como declarante nem como arguido, excepto neste caso quando preso em flagrante delito ou suspeito do crime a que corresponde pena superior a três anos.
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Justificações para substituição
Doença prolongada, licença por maternidade ou paternidade; seguimento de processo judicial ou outro invocado na Comissão de Ética, e considerado justificado.
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Suspensão pode ir até dez meses
Pedida à Comissão de Ética, deve ser inferior a 50 dias por sessão legislativa e a dez meses por legislatura. Um autarca a tempo inteiro ou a meio tempo só pode suspender o mandato por menos de 180 dias.

JORNAL DE NOTÍCIAS 11.02.2008

sábado, março 28, 2009














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Hora de Verão:
Relógios adiantam 60 minutos a 29 de Março
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A hora de Verão vai chegar no último domingo de Março, dia 29, devendo os relógios em Portugal ser adiantados 60 minutos em todo o país, de acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa. Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, os relógios devem ser adiantados 60 minutos às 01:00 de 29 de Março, passando para as 02:00.
A próxima mudança de hora, para a hora de Inverno, vai ocorrer no último domingo de Outubro, ou seja dia 25.
Durante todo o período em que vigorar a hora de Verão, Portugal terá mais uma hora do que o tempo universal coordenado (UTC). A mudança da hora prende-se com a necessidade de não haver desfasamento solar, aproveitando-se o melhor possível a luz nas diversas actividades.
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