Não há crimes perfeitos, mas há crimes que ficam impunes.
No dia 2 de Abril de 1976, em Trás-os Montes, assassinaram o Padre Max e a estudante, Maria de Lurdes, que vinha com ele no carro, depois de acabarem de dar aulas a trabalhadores e trabalhadoras, que queriam aprender a ler e a escrever, e libertarem um pouco as amarras do analfabetismo, com que o fascismo os “dotou” durante décadas e décadas, para assim, melhor os explorarem.
Mataram o Padre Max, com uma bomba que colocaram no seu carro, enquanto ele dava aulas de alfabetização, a gente pobre e humilde, que não tinha, nem nunca teve, possibilidades de ir à escola. Morreu, não por ser vigarista, ou por roubar o estado, mas apenas e só, pela sua dedicação aos outros, como mandam os Evangelhos.
Foi um crime friamente calculado, sem respeito pela vida humana, sem avisos, sem contemplações, sem misericórdia.
Um crime hediondo, atribuído à extrema-direita em Portugal, dominada por meia dúzia de badamecos que se impõem, não pela sua coragem, mas pela força do dinheiro, subtraído por meio de vigarices, ou através da exploração da força de trabalho, de gente honesta. Uns desgraçados, que pensam mandar nas Nações.
Ainda hoje, e muitas vezes, até os próprios Estados, para comerem as suas “babalhadas” migalhas, põem-se de cócoras, perante estes bandalhos.
Na ocasião, e de lá até hoje, acusou-se, e acusa-se ainda, da cooperação neste assassinato, uma personagem de Braga, figura sinistra da Igreja católica, ligada desde sempre ao grande “capital”, e por eles, desde sempre idolatrada.
Mas esse infeliz, por muitos afagos que receba de mãos sujas, não passa de um cão vadio, que vagueia pelo Templo de Deus, e que nunca ninguém, teve a coragem de escorraçar a pontapé.
A sua consciência deve ser pesada como chumbo.
Independentemente disto, é chocante nunca se ter ouvido por parte da Igreja católica, reclamar por justiça para o Padre Max. Preferiu como sempre o silêncio quando lhe mataram este seu filho, aliás, como sempre fez, no meio século do fascismo, não falando já, de outros tempos, de má memória.
Invoco hoje esta efeméride, em memória do Padre Maximino, com respeito, admiração e agradecimento, pelo seu contributo, para que hoje, todos nós, sejamos mais livres.
Um abraço ao Arauto da Ria, que nos lembrou independentemente das cores politicas, credos ou raças de cada um, este dia 2 de Abril, que foi e será sempre, o dia de um mártir, pela liberdade.